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Indústria brasileira bate novo recorde no consumo de bens importados

Estudo mostra que produtos estrangeiros ganharam espaço no mercado nacional em 2025, atingindo o maior nível em 23 anos; parcela da produção para o exterior voltou a crescer

A participação de bens estrangeiros no mercado brasileiro voltou a bater recorde e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 2003, de acordo com o estudo Coeficientes de Abertura Comercial (CAC), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (28).

Em 2025, o coeficiente de penetração das importações alcançou 28,3%, um aumento de 1,6 ponto percentual (p.p.) em relação ao ano anterior. O levantamento também destaca o recorde no uso de insumos importados pela indústria brasileira e o aumento da parcela da produção industrial destinada ao mercado externo.

O ganho de espaço dos importados ocorreu em um cenário de estabilidade na produção da indústria nacional e de menor dinamismo na procura interna. A valorização do real ao longo de 2025 contribuiu para tornar os produtos estrangeiros mais competitivos no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, a participação da China no consumo aparente da indústria de transformação aumentou e alcançou o recorde de 10,3%, com destaque para setores como equipamentos de informática e eletrônicos e têxteis.

Segundo a superintendente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, os resultados do estudo reforçam a urgência de uma agenda estratégica internacional que trabalhe tanto no eixo da competitividade doméstica quanto na criação de instrumentos de política comercial e de defesa comercial conectados à política externa.

“Precisamos atuar em uma via de mão dupla: promover uma agenda de integração internacional, mas também estar atentos a um contexto global que tem se transformado de maneira complexa, fortalecendo a defesa comercial para assegurar um comércio justo e garantir que a indústria brasileira possa disputar em pé de igualdade no mercado global”, avalia.

Uso de insumos brasileiros importados é o maior da série histórica

A proporção de insumos industriais importados usados pelas fábricas brasileiras também atingiu recorde em 2025. O coeficiente chegou a 25,8%, o maior patamar da série histórica. Esse é o segundo ano consecutivo em que o indicador bate recorde, após também ter atingido nível inédito em 2024.

O consumo de insumos externos cresceu 4,6% no período, ritmo superior à expansão de 0,4% observada no consumo de insumos industriais domésticos.

Produção industrial para mercado externo voltou a crescer

O coeficiente de exportação da indústria de transformação voltou a crescer em 2025. O indicador, que mede o quanto do que é produzido é vendido ao mercado externo, subiu de 18,9% para 20%. O resultado reflete o crescimento de 5,9% nas exportações em um cenário de produção industrial estável, o que ampliou a fatia da fabricação destinada ao mercado externo.

Entre os principais mercados, os Estados Unidos permaneceram como principal destino da produção brasileira, absorvendo o equivalente a 3,3% do valor produzido e exportado pelo setor produtivo. União Europeia (2,5%) e China (2,4%) ocupam a segunda e a terceira posição, respectivamente.

O levantamento também destaca o desempenho da Argentina que, impulsionada pela compra de veículos automóveis, recuperou a posição de quarto principal destino da produção da indústria de transformação (1,8%), ultrapassando o Sudeste Asiático.

Mesmo com o aumento expressivo no uso de insumos de fora do país, o coeficiente de exportações líquidas permaneceu estável e positivo em 9,6%. Isso significa que, em relação ao valor da produção industrial, as receitas obtidas com as exportações continuaram superiores aos gastos com a importação de insumos industriais.

Entre os 20 setores analisados, 11 tiveram resultado positivo no indicador, com destaque para celulose e papel, metalurgia e madeira. Os outros nove registraram resultado negativo, casos de equipamentos de informática e eletrônicos, químicos e têxteis.

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