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Condições financeiras da indústria melhoram no segundo trimestre, aponta CNI

Por outro lado, carga tributária, acesso à matéria-prima e juros travaram o desempenho do setor

As empresas industriais tornaram-se menos insatisfeitas com as próprias condições financeiras no segundo trimestre de 2026, aponta a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira (21). No entanto, o peso dos impostos, os juros elevados e o alto custo de insumos e matérias-primas impediram um desempenho melhor do setor.

De acordo com o levantamento, o índice que mede a satisfação dos empresários subiu 0,7 ponto, chegando aos 47,9 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100. Apesar da alta, o indicador segue abaixo da linha divisória de 50 pontos, revelando insatisfação dos industriais, ainda que em menor intensidade do que no primeiro trimestre.

Outros indicadores tiveram movimento semelhante. Os índices de satisfação com o lucro operacional e de facilidade de acesso ao crédito aumentaram 1 ponto e 0,9 ponto, para 42,9 pontos e 39,9 pontos, respectivamente. Contudo, ambos continuam abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando que os empresários da indústria seguem insatisfeitos com o lucro dos negócios e com as barreiras para o acesso a empréstimos e financiamentos.

Outra notícia positiva para o setor foi a queda do índice de evolução do preço médio das matérias-primas, que recuou 2 pontos, para 64,1 pontos, em uma escala que vai de 0 a 100. O resultado mostra que, para os empresários, o preço dos insumos caiu em relação ao primeiro trimestre, mas seguem elevados.

“Os cortes na taxa de juros foram modestos e tiveram pouco impacto sobre a melhora das condições financeiras. O quadro geral mostra que os empresários continuam bastante insatisfeitos com a lucratividade e o acesso ao crédito”, afirma Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Impostos, matéria-prima e juros travam o setor

A Sondagem Industrial mostra que o peso dos impostos continua travando a atividade industrial. Um em cada três empresários (33,3%) apontou a elevada carga tributária como o principal problema enfrentado pelo setor no segundo trimestre.

Em meio à guerra no Oriente Médio e ao cenário externo incerto, a falta ou o alto custo da matéria-prima permaneceu na segunda posição do ranking dos principais problemas. O entrave foi mencionado por 31,2% dos industriais. Mesmo com o início do ciclo de cortes dos juros pelo Banco Central, 27,9% dos empresários apontaram as taxas de juros elevadas como o terceiro maior obstáculo ao desempenho das empresas no período.

Indústria dá sinais mistos em junho

Em junho, o índice que mede a evolução da produção caiu para 48,4 pontos, refletindo uma queda de 0,5 ponto. O resultado aponta retração da atividade industrial em relação a maio deste ano e é o pior para o mês de junho desde 2022. Já o índice de evolução do número de empregados permaneceu estável após variação negativa de 0,2 ponto, para 48,2 pontos, o que indica uma redução dos postos de trabalho na comparação com maio.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI), por outro lado, avançou um ponto percentual, passando de 69% em maio para 70% em junho. Com a alta, o uso do parque fabril cresceu quatro pontos percentuais no primeiro semestre do ano.

De acordo com o levantamento, o índice de evolução do nível de estoques caiu 0,2 ponto, para 49,3 pontos. O índice permanece abaixo da linha divisória de 50 pontos, sinalizando redução dos estoques de produtos da indústria. Ao mesmo tempo, o índice que compara o estoque efetivo com o planejado pelas empresas subiu 0,6 ponto e chegou a 50 pontos, exatamente sobre a marca divisória. Isso significa que o nível de estoques do setor industrial voltou ao patamar idealizado pelos empresários pela primeira vez em 2026.

Expectativas estão positivas, mas empresários continuam cautelosos

Após queda em junho, o índice de expectativa de quantidade exportada registrou a maior alta em junho, avançando 1,3 ponto, de 49,7 pontos para 51 pontos. Com isso, os empresários industriais voltaram a projetar crescimento das exportações nos próximos seis meses.

Confira o comportamento dos demais índices de expectativa no mês de julho:

  • Compra de insumos e matérias-primas: +0,7 ponto, para 52,4 pontos;
  • Demanda por produtos: +0,6 ponto, para 53,3 pontos;
  • Número de empregados: -0,4 ponto, para 50,1 pontos.


Os resultados mostram que os empresários devem comprar mais insumos e matérias-primas e o crescimento da procura por bens industriais nos próximos seis meses. Por outro lado, projetam manutenção dos postos de trabalho no período.

Já o índice que mede a intenção de investimento dos empresários caiu 0,3 ponto, para 53,2 pontos. Foi a segunda queda consecutiva do indicador, que permanece acima da média histórica, de 52,6 pontos.

Sobre a Sondagem Industrial

Para esta edição da Sondagem Industrial, a CNI consultou 1.351 empresas — 548 pequenas, 478 médias e 325 grandes — entre 1º e 10 de julho de 2026.

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